Entrevistamos ó ex preso independentista galego, Carlos C. Varela: «Os novos “democratas” espanhóis construírom-se por oposiçom aos independentismo basco, galego e catalá»

Por Daniel Seixo

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A Audiencia Nacional condénao a sete anos de cárcere por colaborar coa organización terrorista Resistencia Galega, existe a día de hoxe en Galiza unha organización terrorista activa en Galiza?

Na Galiza, como noutros países, existem desde sempre diversas formas de resistência aos abussos do poder. Isso é óbvio, como também o é que essa resistência qui, mesmo quando adotou formas clandestinas ou ilegais, nom é terrorismo. Como vai sê-lo quando nom há nem umha soa pessoa danada por essas açons? Lembremos que o terrorismo, mesmo para a RAE, significa “dominaçom polo terror”… Nom se pode esquecer que as sabotagens independentistas que se foram registando nas duas últimas décadas na Galiza sempre foram contra a propriedade privada ou bens imóveis, nunca contra pessoas.

Por outra parte, é claro que houvo um interesse mui grande por parte da polícia e da justiça espanholas em fazer encaixar, contra toda objetividade, essa nebulosa de sabotagens nos marcos jurídicos e políticos da “organizaçom terrorista”; isto é, levar a conflitividade independentista galega ao seu terreno de jogo predileto: o da repressom e o direito penal do inimigo, assim como ao imaginário mediático do ‘terrorismo’, mui rentável politicamente… Esforçárom-se, em definitiva, em construirem um inimigo à sua medida. Contudo, o único provado é que na Galiza se produziram diversas sabotagens sob a consigna comum do apelo à ‘resistência galega’. Pretender transformar isso numha “organizaçom terrorista” é tanto como fazer passar a serhildan curda, ou a intifada palestiniana, é dizer, os nomes genéricos da resistência desses países, por umha organizaçom…

A que se debe a insistencia da xustiza espanhola na existencia da mesma?

O Estado espanhol tem perfeitamente engraxado umha maquinaria repressiva desenhada para a dissidência basca: com as suas instituiçons específicas, os seus corpos policiais especializados, as legislaçons de exceçom, os discursos mediáticos demonizadores, etc. Está todo desenhado, desde há décadas, pensando na repressom dum independentismo concreto com umha estrutura mui concreta. Entom, quando surgem novas dissidências, intentam aplicar o mesmo esquema repressivo. Estamos a vê-lo na Catalunha a umha escada gigantesca, e na Galiza vimo-lo vendo a outro nível, assim como a esquerda e os movimentos sociais espanhóis que se saem do consenso do 78…

No modelo “antiterrorista” a direita (e nom só) espanhola sente-se mui cômoda. Aí jogam em casa. E de facto, cada vez que algum movimento irrompe com força pola esquerda, saltam umha banda de juízes e jornalistas a reconduzi-los ao marco do “tudo é ETA”. Os exemplos dariam para umha boa antologia…

Na realidade a petiçom inicial do primeiro juízo era mais elevada, e incluia pertença (nom colaboraçom) a organizaçom terrorista. Nele fum condenado a 12 anos que depois o Tribunal Supremo rebaixara a 7. E num segundo juízo, onde me volvem a pedir a pertença e tença de explosivos, embora a retirassem ao começo do juízo posto que fora um assunto já julgado anteriormente, condenam-me novamente a 7 anos de prisom mais, que afinal o Tribunal Supremo anulará por entender que estivem numha situaçom de indefensom. Bom, foi um périplo judicial mui complicado e com muitas revira-voltas, nem eu che sei dar os detalhes concretos sem tirar da documentaçom…

A prática das petiçons fiscais elevadíssimas, assim como as condenas em primeira instância igualmente elevadas, e a posteriori umha rebaixa substancial em segunda instância, é umha prática tradicional no sistema judicial espanhol, que creio que responde à eficácia simbólica do sistema judicial para mostrar-se como comedido. O historiador Jaime Contreras recolhe-o mui bem no seu livro sobre a Inquisiçom como um método mui habitual entom… Ora bem, haveria que perguntar-se se um fiscal, quando está a pedir os máximos anos de prisom tendo arco de condenas muito amplo (no caso de pertença a organizaçom terrorista, pode variar dos 6 aos 12 anos) para uns feitos claramente menores, nom está a prevaricar…

A sentenza consideraba probado que o 10 de outubro de 2011 vostede proporcionou a membros de Resistencia Galega un artefacto explosivo, pero a día de hoxe, desconhécese fielmente a identidade deses membros e a propia existencia da devandita organización, como se explica vostede esa condea?

Bom, finalmente o Tribunal Supremo rejeitou essa condena por julgar que, precisamente, se produziu umha situaçom de indefensom jurídica…

Muita da mocidade nacionalista de hoje já incorporou muitos elementos da cultura política do independentismo

Sempre asegurou que a tarde do 9 de outubro de 2011 estivo nas festas de San Froilán en Lugo presenciando con dúas amigas un concerto do grupo «A Matumba», púidose probar no xuízo a suposta falsidade da súa coartada?

Nom se pudo em absoluto. Mas, em qualquer caso, quem devera apresentar provas de que eu cometera tal ou qual feito é o fiscal, e nom ter que apresentá-las eu de que nom… Precisamente nisso consiste a tam cacarejada “presunçom de inocência”.

Tivo vostede un xuízo xusto?

O próprio Tribunal Supremo, nada suspeitoso de simpatizar com as minhas ideias, dixo que nom.

Vincúlase-lhe co artefacto que foi colocada no recinto dun caixeiro automático de Novacaixagalicia situado na alameda Suárez Chairos de Vigo, tivo vostede relación algunha con eses feitos?

Nengumha, mas é evidente que se tratárom de construir provas para que assim o parecesse.

Que sente cando recibe noticias como as de Altsasu ou a recente detención de membros dos CDR?

Mais lá da importância política, imediatamente pensas nas pessoas detidas e nas suas famílias, porque sabes exatamente o que estám a sentir. Sentes umha solidaridade instantânea e umha indignaçom igual.

Prodúcense montaxes policiais no estado espanhol?

Todo parece indicá-lo…

Durante a sua condea, chegou a pasar por sete cadeas diferentes, supón esta política penal unha dobre condea pra familiares e amigos?

Já perdim a conta… Metêrom-me primeiro em Soto del Real, depois levárom-me a Aranjuez, de aí a Topas, um par de meses em Valdemoro, de novo a Topas, uns dias em Navalcarnero, médio ano em Estremera, uns anos em Villabona e, finalmente, os últimos meses em Teixeiro… Também passei umha noite em Leom. A política de afastamento penitenciária procura erodir o círculo do preso (também economicamente) e chantajear a este com o sofrimento da sua família e o sentimento de culpa. O temor a um acidente de automóvel quando um ser querido te vai a visitar é terrível, e invade-te quando umha visita começa a demorar…Numha ocasiom um carcereiro, caminho dum vis-à-vis, perguntou-me se nom me sentiria culpável “se lhes passasse algo”.

Déuse-lhe trato de preso político na súa estancia en prisión?

A nengum preso político se lhe reconhece “oficialmente” essa condiçom, que seria incompatível com as pretensons do estado de se mostrar como “democrático”, naturalmente, mas o trato é mui específico para as pessoas encarceradas por motivos políticos. É dizer, no estado espanhol “nom existem presos políticos”, mas o que si existem é uns presos e presas que em vez de poder chamarem dez vezes à semana às suas familias por telefone só podem oito; que tenhem todas as suas comunicaçons intervidas (gravadas, analisadas e arquivadas conforme a critérios políticos); que lhe dam as cartas quase um mês depois que ao resto; que os levam a cárceres afastados da sua terra; que botam anos isolados nom por conflitos de convívio no cárcere senom pola sua ideologia política; que tenhem umha equipa de seguimento especial dentro da subdireçom de segurança que testeia regularmente as suas opinions políticas… e um montom de outras exceçons que, ali dentro, a ninguém se lhe escapam. É que isto dentro da prisom é óbvio para todo o mundo (seria interessante que Nueva Revolución entrevistasse um carcereiro…), outra cousa é que os as autoridades do sistema penitenciário o reconheçam publicamente, mas no dia a dia é obvio.

Nom queria deixar de sinalar que estou usando, por claridade (e porque também é a terminologia comum entre todos os presos), a distinçom entre presos políticos e presos sociais ou comuns, sendo consciente de que é avondo conflitiva e que a mim às vezes tampouco me resulta mui cómoda.

Como foi o trato recibido polos funcionarios?

Evidentemente, como em qualquer coletivo, “há de todo”, mesmo bates com gente de esquerdas ou simplesmente honesta e, ainda que nom entendas como pode dedicar-se a tal cousa, evidentemente agradeces topar com alguém decente. Mas o importante nom é isso, tal ou qual caso anedótico (igualmente poderia falar de casos de autênticos sádicos), senom que, estruturalmente, o cárcere é um espaço de imunidade para o poder, onde as autoridades tenhem sempre todas as de ganhar caso de produzirem-se abussos pola sua parte. E os abussos existem, produzem-se continuamente, e as presas disponhem de mui poucos e mui pouco eficazes mecanismos de autodefesa. Os Tribunais de Vigilância Penitenciária, que deveram servir de proteçom legal, som vistos as mais das vezes, e com toda a razom, como raposos a cuidarem do galinheiro… A solidaridade entre os presos é muitas vezes a única defesa, mas é mui difícil de artelhar.

No meu caso pessoal, logrei demonstrar que me submeteram ilegalmente a muitos cacheios integrais e o estado tivo que indemnizar-me por isso (“pagar-me polos stripteasses”, como dim alguns amigos), mas em muitos outros casos nom conseguim a vitória judicial… E, para a maioria dos presos sociais, sem os recursos com que contamos os políticos a nível de formaçom, judicial, económica e de rede social, a situaçom é de maior indefensom ainda.

Como é o estado das prisións espanholas?

Tenho a impressom de que entre 2012 e 2019, o tempo que eu estivem nelas, houvo umha degradaçom em dous aspectos tam importantes como é o da atençom médica ou o dos alimentos, que tampouco é que antes estiveram num bom nível, mas agora estám ainda pior. Na educaçom a oferta de cursos de formaçom (imprescindíveis para o objetivo declarado da reinserçom, havida conta da correlaçom que há entre as taxas de desemprego e as de encarceramento) é tam pequena que resulta ridícula e, no caso da educaçom universitária, posto que umha grande parte dos usuários som os presos políticos, o desleixo do serviço costuma ser o habitual. O emprego no cárcere é mais que insuficiente, sem direito à sindicaçom, e com os postos outorgados, muitas vezes, atendendo a clientelismos antes do que à preparaçom ou à necessidade social desse salário. Quanto aos maus tratos, nom disponho de estatística, embora a minha impressom pessoal é que foram diminuindo, mantendo-se sempre em níveis intoleráveis.

Também há que sinalar que a situaçom concreta pode variar muitíssimo de cárcere a cárcere, e mesmo dentro de cada cárcere de módulo a módulo. Dentro dumhas margens de atuaçom bastante restringidas, às vezes o pessoal pode obter modificaçons substanciais na qualidade de vida, mas sempre som melhoras mui voláteis. Na prisom de Villabona, por exemplo, onde continua o companheiro Raul Agulheiro, umha mudança de diretor supujo um pioramento notável das condiçons de vida dos presos.

Mas a pregunta fundamental é: se todos os estudos sociológicos sérios venhem demonstrando desde há tantas décadas que o cárcere nom serve para diminuir a “delinquência”, que a dureza das penas nom tem nengumha relaçom com a diminuiçom dos delitos, e que, pola contra, a cadeia é umha instituiçom que agrava notavelmente os problemas sociais que pretende atalhar, qual é a razom da sua existência? O “isto nom serve para nada” é umha ideia absolutamente maioritária no cárcere, entre as presas mas mesmo me atreveria a dizer que também entre os do outro lado.

Estou também mui contento de ver quanta gente nova há fazendo tantas cousas tam interessantes na minha comarca

A Audiencia Nacional sentenciou que os 17 cacheos con espido integral aos que foi sometido na sua estancia non cárcere de Topas foron totalmente ilegais, “arbitrarios e  inxustificados”,  era común que se vulnerasen vos seus dereitos durante a sua condea?

É a tónica geral em qualquer instituiçom total…

Como está a ser a súa reincorporación á sociedade?

Bastante boa. Nom me podo queixar, a verdade. Com o carinho da minha gente, da família e das companheiras de trabalho, é muito mais fácil ir recuperando o ritmo do dia a dia. Evidentemente leva um pouco desprogramar-se da rutina carcerária, tam estremadamente monótona e repetitiva à vez que estressante, mas tampouco notei um grande choque. No ativismo reincorporei-me ao grupo em que trabalhava na Gentalha do Pichel e também aos novos movimentos ecologistas. Estou também mui contento de ver quanta gente nova há fazendo tantas cousas tam interessantes na minha comarca.

É o sistema penal espanhol un sistema enfocado á reinserción?

Em absoluto. Quanto mais tempo passe umha pessoa encarcerada mais difícil vai ser que se poda reinsertar à sociedade. É umha verdade estatística inapelável…

Que ensino supuxeron para ti  tantos anos de cárcere?

Nom creio que passar polo cárcere faga “mais listo” a ninguém, mas si que dá umha oportunidade de autoconhecimento mui grande que se deve intentar aproveitar. E no sentido mais puramente político, o cárcere normalmente reafirma os teus princípios (insistem em dar-che a razom em todo o que criticavas…) e também creio que me serviu para reforçar as convicçons antisectárias e a importância de construir as alternativas desde e com a comunidade. Digamos que é umha situaçom onde se observam mui bem os diferentes modos de fazer da “tribo” e do “partido”… e eu cada dia aprendo mais da tribo. O cárcere fijo-me admirar mais aos meus avôs e avoas, as minhas principais referentes políticas.

Ten sentido a pervivencia dun tribunal especial como a Audiencia Nacional?

O Tribunal de Ordem Pública funcionou, na segunda etapa do franquismo, como instância de perseguiçom dos “delitos políticos”. Como a existência de tal tribunal parecia inaceitável em “democracia”, um Decreto Lei de 1977 suprimiu-no ao mesmo tempo que criava o seu substituto, a Audiência Nacional. Curiosamente, 10 dos 16 juízes que tiveram vaga de titular no TOP foram nomeados posteriormente magistrados da AN… A continuidade é evidente, nom?

Como valoras o estado de saúde do independentismo galego?

Todo o mundo coincide em que a situaçom é mui má, isso é evidente. Pagamos caro nom conseguir (ou nom querer) criar uns referentes que, afinal, resultam imprescindíveis para coesionar em algumha maneira, ainda que só seja proporcionando-lhe um relato, a toda essa constelaçom de pequenos movimentos sociais que nasceram de gente formada politicamente no independentismo juvenil. E ainda mais caras pagamos as inércias de umha cultura política que nom demos atualizado. Enfim, nestas críticas creio que há bastante consenso e poucas ganas de repetir erros.

Também há muitas razons para a esperança, e quem queira sachar tem onde de sobra. Há muitos projetos que aprofundam na autogestom e na democratizaçom em muitos âmbitos da vida: da educaçom ao cooperativismo, dos centros sociais aos meios de comunicaçom alternativos… E mesmo noto algumha vitória desapercebida do independentismo, como é o facto de que muita da mocidade nacionalista de hoje já incorporou muitos elementos da cultura política do independentismo que, até nom há nada, ainda eram tabu no nacionalismo maioritário. O Isaac Lourido escreveu umha série de artigos mui interessantes sobre isto. Ora bem, creio que é às novas geraçons às que lhe toca reconstruir um espaço político com umhas maneiras de fazer radicalmente novas e que nom herdem nem as frustraçons do passado nem os seus prejuízos.

Por apontar só duas ideias, direi que me gostaria um independentismo que procurá-se incrustrar-se na comunidade, no comum –longe do ghetto compostelano–, e que construa desde ele. Essa pode ser umha boa vacina para muitas doenças clássicas do nosso movimento. E segunda, que abandone a comodidade da linguagem privada, do monólogo consigo mesmo, e que faga um grande esforço em traduzir, que nom é outra cousas que explicar o independentismo “às avoas”.

Debe ser Galiza independente?

Deve ser o que as galegas decidam livremente, e quando a gente decide em liberdade, normalmente, nom prefere prefere que sejam outros os que governem as suas vidas…

Os Tribunais de Vigilância Penitenciária, que deveram servir de proteçom legal, som vistos as mais das vezes, e com toda a razom, como raposos a cuidarem do galinheiro

Consideras que é lexitima a loita popular violenta?

O debate abstrato sobre a “violência” costuma usar-se como umha chantagem. Na realidade, absolutamente todas as pessoas consideram que há algum tipo de “violência” que é legítima (ainda que às vezes, precisamente por considerá-la legítima, nom a chamam de “violência”, mas esta nom deixa de ser umha questom nominalista), e nessa legitimidade é onde está realmente o debate, e entom nom há outra que baixar da abstraçom aos casos concretos.

Se considero que as diferentes opinions políticas devem contrastar-se democraticamente e nom através da violência? Naturalmente que si. Por desgraça, o caso catalám está a demonstrar que o estado nom opina o mesmo…

Como estás a vivir o procés catalán?

Pois é curioso, porque a minha detençom produziu-se depois da primeira Diada multitudinária e o chefe do operativo policial insistia em falar dela enquanto eu ia com umha saca de tela na cabeça caminho de Madrid. Depois vivim todo o procés no cárcere e com a sorte de que o meu advogado o viveu desde dentro e a minha companheira também, acompanhando a delegaçom de observadores internacionais. Foi todo mui emocionante. Lembro presos sociais a cantarem o “dónde están las papeletas?”, um companheiro italiano a chorar de emoçom ao ver na televisom o referendo…

Nom me atreveria a fazer umha análise de por onde vam ir as cousas porque nom me sinto capacitado em absoluto, mas a demonstraçom de dignidade desse povo é algo que jamais poderemos esquecer.

Existe un caminho legal para a independencia?

Como di o David Fernàndez, parece que na Catalunha passárom de intentar abrir umha via democrática à independência a terem que abrir umha via independentista à democracia… O ênfase no “legal”, em que tanto gostam escudar-se alguns a modo de tapa-rabos retórico do que nom é mais que antidemocrático, nom resiste muito ao debate: o franquismo acometeu um genocídio amparando-se na legalidade, o apartheid discriminava brutalmente à populaçom negra de maneira legal… O “legal” nom é sinónimo de justo, e quando nom o é há que mudá-lo.

Son presos políticos os membros do Govern encarcerados?

É evidente.

Colaborou durante a súa traxectoria habitualmente coa prensa escrita, como definiría a situación actual do xornalismo?

Ainda me estou a fazer umha ideia dos meios de comunicaçom alternativos atuais, se bem a primeira impressom que estou a ter é de que há umha maior fragmentaçom que há sete anos, e que falta um espaço o suficientemente amplo como para que sirva de ponto de encontro. Nesse sentido som mui nostálgico do que fora no seu dia o portal Vieiros, que era frequentado com comodidade por um amplo espectro ideológico, do centro-direita galeguista à estrema-esquerda independentista, e proporcionava um relato comum da atualidade do país, possibilitando os debates reais. Agora está todo tam atomizado que é impossível encontrar esse relato, tés que consultar em muitos sítios diferentes, cada quem fala para o seu público pessoal… A mim ainda me custa orientar-me e também me deixo enredar, como qualquer outro, na seduçom do imediatismo das redes… No cárcere, vendo como os bascos liam o Gara a diário, compreendera mui bem essa importância que Benedict Anderson dá aos meios de comunicaçom como instrumentos para “imaginar a comunidade”, e agora noto muito a ausência dum meio semelhante entre nós.

Na Galiza, como noutros países, existem desde sempre diversas formas de resistência aos abussos do poder

Que opinión che merece a recente imputación por parte da fiscalía a membros de Ceivar e Causa Galiza por pertenza a organización criminal para a comisión de delitos de enaltecemento do terrorismo?

Parece-me dumha gravidade estrema e preocupa-me que sectores mui amplos de democratas, no sentido mais amplo dessa palavra, nom o vejam assim. Está em jogo um retrocesso de direitos mui grande que vai mais lá do intolerável risco de encarceramento de doze pessoas que realizavam um trabalho político público, atingindo a toda a populaçom. A acussaçom é completamente fantasiosa para qualquer pessoa que viva na Galiza (enaltecer quê inexistente “terrorismo”?), mas responde a umha logica anti-independentista que está inscrita na justiça e polícia espanholas, habituadas a décadas de ataque contra o “inimigo interior”.

O estado espanhol tem umha trajetória mui específica. Ficou fora do consenso antifascista da Europa de pós-guerra, quando Alemanha, França ou a Itália se reconstruiram como democracias porque se opunham ao fascismo. Portugal incorporou-se a esse consenso antifascista com o derrocamento da ditadura. Mas no estado espanhol nom, a ditadura nom foi derrotada, morreu de morte morrida e no novo relato estatal o fascismo nom se incorporou como referente de oposiçom. Pola contra, os novos “democratas” espanhóis construírom-se por oposiçom aos independentismo basco, galego e catalá. Isto foi especialmente assim em campos como o policial ou o jurídico, onde os repressores do antifranquismo se transformaram em democratas, da noite ao dia, pola perseguiçom do independentismo. Um exemplo paradigmático seria o de Melitón Manzanas, mas os casos som multitude: som estruturais.


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