Entrevista com Hadriám Malho co-portavoz do Comité Antifascista de Compostela: “O nosso antifascismo é radicalmente anticapitalista.”

A prisom de Pablo Hasél é umha expressom clara da lógica reacionária do regime oligárquico pactuado na Transiçom. Da involuçom em liberdades e direitos básicos.

Por Angelo Nero

Em outubro de 2020, conjuntamente com outras sete entidades antifascistas e de recuperaçom da memória histórica, promovedes umha campanha unitária visada para alertar, conscienciar e movimentar ao povo trabalhador contra o fascismo. Que passos se dérom entom para avançar na unidade para combater o vírus fascista?

Após a criaçom na primavera de 2020 da Plataforma Antifascista Galega, entidade coordenadora de diversos coletivos antifascistas, da memória histórica antifascista, forças políticas e sociais, consideramos necessário tecer um acordo conjuntural ainda mais amplo. Deste jeito avançamos numha resposta unitária entre diversos comités antifascistas e de recuperaçom da memória histórica, lançando umha campanha unitária de denúncia da ameaça fascista, que culminou com concentraçons na data simbólica do 20 de novembro.

Consideramos que perante a eclosom e avanço do fascismo é necessário sigar selando unidades o mais amplas possíveis, ocupar as ruas e fazer-lhe frente ao terrorismo voxiano.

Mas também desputar a hegemonia cultural e ideológica entre os setores populares é umha tarefa prioritária para gorar a penetraçom e consolidaçom do fascismo entre o povo trabalhador e empobrecido, com destaque entre a juventude de extraçom social operária e popular.

Um dos vossos primeiros objectivos foi o de promover umha Compostela livre de simbologia fascista, como se pode entender que 45 anos após a morte do genocida Franco, no coraçom da capital da Galiza continue havendo praças de apologia fascista, após décadas de governos municipais “progressistas”?

Responde à monumental fraude da operaçom cosmética que representou a Transiçom. Umha mera metamorfose de continuidade do regime franquista na atual democracia “bourbónica”. Mas também à claudicaçom das grandes forças políticas e sociais que renunciárom à rutura com a atual arquitetura jurídico-política da democracia burguesa espanhola.

Isto explica porque os chamados partidos “progressistas” fijérom ouvidos xordos, renunciando à desfascistizaçom do espaço público. Tanto nos anos de governo do PSOE-BNG, como mais recentemente de Compostela Aberta, e agora novamente com o PSOE ocupando a em minoria a presidência do Concelho, pouco se tem implementado umha medida de mera higiene democrática.

O Comité Antifascista de Compostela tem elaborado o mais completo censo desta infâmia. Som once o número de símbolos situados em lugares tam emblemáticos como a praça da Quintá ou o mosteiro de Sam Martinho Pinário. Ou nas fachadas de diversos centros de ensino secundário e universitário. Destacamos que umha cafetaria da USC se siga chamando SEU, siglas do sindicato estudantil falangista.

É inaceitável que oito ruas e praças de Compostela tenham nomes fascistas, tal como a praça Puente Castro, a rua Legaz Lacambra ou a avenida Manuel Fraga Iribarne.

Ou que se siga incumprindo o acordo adotado no Plenário Municipal de julho de 2018, onde se decidiu a retirada das destinçons honoríficas a nove ministros franquistas.

Entregamos em julho, via registo municipal, um documento onde se solicitava a retirada desta simbologia fascista da cidade. Passárom dous meses e ainda nom tivemos resposta do Concelho, e pensamos que nom a vamos a ter. Bugalho vulnera a lei de transparência que exige que a administraçom ter que responder às solicitudes apresentadas.

O dia 20 de julho realizamos umha concentraçom simbólica baixo o gravado que homenageia ao fundado de Falange na fachada do convento de Sam Paio de Antealtares, no coraçom da Compostela monumental.

O Comité Antifascista de Compostela tem também umha forte vocaçom internacionalista, participando em manifestos e atos contra a ocupaçom sionista de Palestina, contra o encarceramento do rapeiro Pablo Hasél, em apoio a Colômbia insurgente ou à soberania cubana. Tem por força ser o antifascismo internacionalista?

A prisom de Pablo Hasél é umha expressom clara da lógica reacionária do regime oligárquico pactuado na Transiçom. Da involuçom em liberdades e direitos básicos. Um rapeiro tem que cumprir condena de cárcere por exercer a liberdade de expressom, enquanto a casta política cleptómana, ou os polícias que cometérom violaçons de direitos humanos, nom se lhes aplica a mesma vara.

Outra das vossas constantes som as alertas antifascistas contra as mobilizaçons como as de “Policias por la Libertad”, claramente negacionistas, ou a visita de Ortega Smith à capital da nossa naçom, que fôrom respondidas cum forte despregamento repressivo. Estas som chamadas abertas à populaçom, às organizaçoms populares e aos partidos da esquerda para erguer um muro efetivo contra o fascismo que tenta ocupar as nossas ruas?

As nossas alertas antifascistas pretendem evitar que o fascismo ocupe progressivamente a rua com absoluta impunidade.

É prioritário construir um muro antifascistas, plantar-lhe cara com coragem e firmeza os fascistas nas nossas ruas.  Que saibam que nem som bem-vindos.

O antifascismo galego nom pode permitir que o discurso de extrema-direita se consolide no nosso país.

Tambén o CAC fixo umha campanha contra a instalaçom de câmaras de vigilância no casco velho da cidade, que tentan converter Compostela num imenso Big Brother. A isto há que acrescentar um sofisticado modelo de controlo social, empregando drones, por parte das forças de segurança do Estado.

Sim, o controlo social o que a vizinhança de Compostela estamos submetidos é um feito mui grave que vimos denunciando e seguiremos fazendo.

O Governo Municipal do PSOE vem de implementar um novo plano de vídeo vigilância denominado “Smartiago”, consistente na instalaçom de 43 sofisticadas câmaras dotadas de inteligência artificial em boa parte das principais ruas da amêndoa da cidade velha, com a escusa da vigilância, do controlo de tráfico, da inexistente problemática de segurança desta zona, e da proteçom do património histórico.

Nada disto se corresponde com a realidade, já que o índice de criminalidade em Compostela é mui baixo, praticamente zero.

Com a instalaçom destas câmaras, acrescenta-se a grave situaçom de violaçom do direito à intimidade, posto que já existem múltiplas câmaras despregadas por toda a cidade, como a da praça da Galiza ou a do Pam.

Esta medida repressiva e de controlo social, tem sido implementada de forma hermética, aproveitando o adverso contexto desmobilizador derivado da profunda crise sanitária e económica provocado pola pandemia da Covid-19.

Perante o incremento das necessidades sociais de cada vez maiores setores da cidade, em pleno processo de depauperaçom, achamos insultante o gasto de mais de 1.1 milhons de euros destinados para a instalaçom das câmaras.

Todos estamos no ponto de mira das vídeo câmaras controladas pola Polícia Municipal ao serviço do PSOE. Todos estaremos baixo a atenta mirada das forças repressivas e do seu controlo social.

As câmaras só vam servir para espiar a vida diária de milhares de vizinhos . Eis polo que segue sendo necessário articular umha resposta a esta agressom. Nom queremos ser vigiados, queremos que se respeite a nossa liberdade de circulaçom e a nossa intimidade.

Assistimos pois, a umha nova volta de porca do processo distópico iniciado entre 1999 e 2000, quando o mesmo alcaide instalou câmaras em diversos pontos da cidade, provocando controvérsia e oposiçom popular. Naquela altura os setores populares mais conscientes da cidade denunciárom e figérom frente à sua instalaçom.

Nom podemos permitir que se conculque ainda mais o direito à intimidade, de passear e circular com quem queiramos com absoluta discreçom, o direito de reuniom ou de manifestaçom sem sermos filmados.

Com o lema “Por um 1º de maio antifascista e anticapitalista” participastes na manifestaçom da CIG. O sindicalismo é outro dos eidos onde tem que aprofundar a açom antifascista?

Sem lugar a dúvida! A promoçom e financiamento do fascismo voxiano por umha das fraçons oligárquicas do Ibex 35 tem um caráter dissuasório e preventivo. Perante a grave crise estrutural capitalista, o grande capital prepara-se para grandes convulsons populares. Impossibilitar a reorganizaçom obreira, e a sua capacidade de luita, é a razom da existência do partido de Abascal.

O antifascismo tem que ter um indiscutível caráter de classe. O nosso antifascismo é radicalmente anticapitalista.

Em junho aparecéram restos de antifascistas entre entulhos, em Salgueirinhos, com perforaçons de bala no cráneo, e o CAC exigiu ao governo municipal de Sánchez Bugallo umha investigaçom para depurar responsabilidades polo indigno tratamento dado aos restos humanos das vítimas do franquismo, assim como o assinalamento do lugar onde fôrom executados. Qual foi a resposta das autoridades municipais perante a vossa reclamaçom?

A resposta do governo municipal foi negar os factos e “limpar” a área. Enquanto o concelheiro do Javier Fernández mentia ao afirmar que os restos ósseos dos antifascistas seriam tratados com dignidade, umha simples inpeçom ocular no entulho de Salgueirinhos, constatava anacos de ossos e peças dentárias por toda a superfície.

O governo do PSOE de Sanchez Bugalho “solucionou” colhendo umha excavadora e tirando os restos a saber onde…… Nom se abriu umha investigaçom para depurar responsabilidades, nem para saber de quem eram os restos ósseos aparecidos nesse estulho. É umha infámia o tratamento dado a quem morreu por defender a liberdade e a justiça social. Bugalho e companhia lavarom-se as maos como sempre.

O Comité Antifascista de Compostela apresentamo-nos ali comprovando com os nossos olhos claramente restos humanos, óssos e dentes a simples vista sem ter que remexer terra. Realizamos um ato de homenagem às vítimas à beira do infame entulho depositado em Salgueirinhos, com restos ósseos de republicanos executados, depositamos um ramo de flores como ato de desagravo aos antifascistas da capital da Galiza.

Participastes na manifestaçom unitária do Dia da Patria Galega, sob o lema “Contra o fascismo e a ditadura do capital, Galiza pola liberdade”, junto a outros coletivos antifascistas, organizaçoms republicanas e independentistas. Que valoraçom fazedes desta mobilizaçom e desta unidade que nom sei se é tática ou estratégica?

A nossa valorizaçom é positiva, todo o que signifique reagrupar forças antifascistas é positivo.

No 25 de Julho demonstramos que a unidade é fundamental para combater o fascismo. Sem unidade estamos condenados à derrota. Eles cada dia están mais fortes. Por isso a unidade de comités antifascistas, organizaçons anticapitalistas e independentistas com forças republicanas neste Dia da Pátria, foi um passo mui grande para avançar na construçom de um inexpugnável muro antifascista.

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