
Intervençom de Carlos Morais no Dia da Pátria de 2025, no Pico Sacro, 25 de Julho no ato organizado polo Comunismo Revolucionário Galego
Por Carlos Morais | 26/07/2025
VIVA A PÁTRIA DE CASTELAO E DE MONCHO REBOIRAS!
VIVA GALIZA CEIVE E SOCIALISTA!
Estamos onde temos que estar!
Estamos porque queremos estar, mas basicamente porque devemos estar!
Somos pois, camaradas, plenamente conscientes de porque estamos hoje aqui!
Nesta manhá limpa desta Pátria chamada Galiza, cinzelada durante milhares de anos polos homens e mulheres que hoje nos identificamos com orgulho como galegos e galegas, queremos reivindicar a necessidade de libertar o País da opressom nacional que padece polo Estado espanhol e de atingir umha República Socialista Galega.
Desde esta emblemática atalaia, desde esta montanha sagrada, queremos transmitir ao povo trabalhador da Galiza, ao único que nos devemos, que como destacamento comunista galego de libertaçom nacional, portanto fiel e leal à causa da sua emancipaçom, estamos atravessando um momento crítico no ámbito geopolítico. Queremos fazé-lo com a honestidade e a sinceridade que deve caraterizar o acionar do comunismo revolucionário.
Hoje e aqui, com a solenidade que nos inspira o Pico Sacro, esta majestuosa montanha de seixo, queremos alertar das duas grandes ameaças que padecemos como classe e como Naçom.
Estamos nas portas dumha conflagraçom de incalculáveis consequências ao que nos está conduzindo o êxtase militarista da oligarquia, como mecanismo para tentar atrasar a inevitável detonaçom do capitalismo senil e agónico.
Caminhamos face umha guerra contra Rússia e contra o emergente Mundo multipolar. E a diferença de outras etapas históricas, a imensa maioria da nossa classe está-se deixando arrastar, desmobilizada e em silêncio, face um conflito bélico no que só nós vamos pôr os mortos, a dor e a dessolaçom.
Para lográ-lo sem grande oposiçom, levam anos preparando o terreno mediante a intoxicaçom e a manipulaçom da realidade.
À medida que se vai aproximando a III Guerra Mundial ao nosso País, um pacote de medidas de excepçom vam ser aprovadas e implementadas para amordaçar e aniquilar a dissidência interna.
Nom podemos seguir deixando-nos enganar pola demagogia do governo progre nem polo discurso enganoso da oposiçom fascista.
O nosso povo intui o que pode acontecer, mas o grau de amorfismo e desarticulaçom da classe obreira é tam elavado, que estamos permitindo que a economia de guerra se instale com naturalidade e pacificamente, que as tímidas liberdades individuais e coletivas atingidas em décadas de luita estejam paulatinamente sendo reduzidas ao puro formalismo e substituídas por leis de excepçom.
A prática totalidade do nosso povo nom sabe o que nos vem acima. Nós, com toda modéstia revolucionária, levamos anos prognosticando entre a indiferença geral, que o capitalismo de shock e de guerra global é o que nos espera se nom logramos freá-los.
Perante este cenário tam adverso, a burguesia promove por um lado o rexurdir do fascismo, e polo outro o fomento de ‘atrativas causas’, completamente inofensivas para os seus interesses, envoltas em celofane multicor de apariência progressista.
Se nom logramos reverter ideológica e politicamente o engano ao que estamos sendo submetidos, os planos de guerra global da OTAN e da UE serám implementados com facilidade polas perversas elites que governam Ocidente.
Ao igual que em 1914, os comunistas temos o dever histórico de dar a batalha ideológica para desmascarar o militarismo e as forças colaboracionistas que no seio do nosso povo justificam a guerra em base a falácias e enganos.
Sim, camaradas, nom podemos apoiar a sua guerra para defender os “valores” de Ocidente. Porque esses “valores” som os que permitem o genocído em Gaza, a imposiçom de um governo islamofascista na Síria, o protetorado nazi da Ucrânia, as dezenas de milhares de mortos no Mediterráneo, a pobreza, desnutriçom e fame na África, um mundo no que um punhado de Estados do centro capitalista tentam por todos os meios seguir saqueando e dominando o planeta para manter os obscenos privilégios dumhas elites que estám dispostas ao que faga falta para perpetuar-se.
O caos controlado extende-se como umha mancha de azeite enquanto nos querem manter entretidos no jogo da alternáncia eleitoral entre as duas caras da mesma moeda, ocupados entre as artificiais escaramuças da alternativa globalista e a conservadora, como se fossem antagónicas. Porque goste ou nom goste, Biden e Trump, Sánchez e Feijó, Rueda e Besteiro, defendem o mesmo sistema, o capitalismo.
Enquanto a classe obreira galega siga atrapada no labirinto do mal menor, mais tardaremos em reconstruir a verdadeira alternativa de classe que poda evitar a instalaçom de umha tirania global, disfarçada de governo mundial para salvar o planeta da ‘crise ecológica’, e das ‘ameaças’ que procedentes da periferia questionam os valores do imperialismo e o colonialismo. Nom podemos acreditar ingenuamente que querem para nós o melhor mundo possível.
Tampouco servem as alternativas mornas e timoratas, incapazes de elaborar um projeto revolucionário.
Aquelas que sempre ficam a meio caminho, que na prática diária renunciam a defender umha Galiza ceive e socialista, a exercer umha coerente açom teórico-prática para erguer umha sociedade nova.
Que por mui bem intencionadas que estejam som incapaces de despreender-se da sua vocaçom conformista de serem a ‘esquerda’ sistémica.
Somos plenamentes conscientes que a alternativa que há um século defendeu a III Internacional da Uniom de Repúblicas Socialistas Ibéricas, é imprescindível para quebrar com o autoritarismo da UE dos mercaderes e a guerra, com o braço terrorista do Capital, com a OTAN.
Este ano o Dia da Pátria foi convocado polo Comunismo Revolucionário Galego, sigla de transiçom da que nos dotamos 1 de janeiro, antes da plena reativaçom de Primeira Linha que terá lugar o vindouro ano coincidindo com o 30 aniversário da sua fundaçom.
Nom é um capricho, nem umha teima, a reorganizaçom do comunismo combatente, patriótico e revolucionário galego.
Responde exclusivamente a umha necessidade histórica perante o descalabro geral do movimento comunista internacional, e o grau de desarme e desorientaçom das falsas tentativas de reorganizaçom que observamos.
Sabemos que nesta tarefa titánica estamos sós. Estamos conscientes que detrás do Volga nom há nada. Como também contemplamos que nom lograrmos atingir este objetivo é plausível dada a nossa debilidade orgánica.
Mas estamos plenamente convencidos da nossa imensa fortaleza ideológica, e basicamente de que temos do nosso lado a verdade e a razom. Por isso resistimos, por isso continuamos, por isso perserveramos contra vento e maré defendendo que a unidade de luita de explorados e oprimidas, sintetizadas na fouce e o martelo da nossa bandeira vermelha, segue mais vigente que nunca.
Temos a nossa vida consagrada à causa de um mundo feliz presidido pola justiça e a igualdade, sem classes sociais e portanto sem injustiças e desigualdades, onde o mosaico de povos e culturas do Planeta convivamos solidariamente em harmonia e paz. Esse mundo de beleza e amor sonhado desde há milhares de anos, ao que Marx chamou Comunismo.
Poderiamos optar polo mais fácil e o mais cómodo, somando-nos a algumha das caldeiradas progres do mercado eleitoral, fazermos carreira política no seu seio, evitarmos estarmos expostos à soidade e criminalizaçom de nom aderirmos aos modismos elaborados polo inimigo para manter entretidos os oprimidos, fazendo-lhe acreditar que estám luitando por um mundo melhor.
Nom o fazemos porque sabemos que na realidade estám reforçando inconscientemente as diversas opressons derivadas da contradiçom principal, a do Capital-Trabalho, desviando energias, fragmentando a luita integral contra a burguesia.
Sabemo-lo porque a experiência histórica assim o constata, que sem combaté-la diretamente, é inviável conquistar mais liberdades e destruir as múltiplas dominaçons intrinsicamente ligadas ao capitalismo.
Nom temos medo nem complexos em dar a batalha ideológica. Sabemos que é a linha política quem forja o Partido, e nom ao invês, nom é o Partido quem forja a linha política.
Somos um modesto destacamento comunista galego de libertaçom nacional que nom busca o aplauso das ‘esquerdinhas’ gominolas e confetti, um lugar nos platós das TV do inimigo, nem a bençom dos popes assalariados polos banqueiros, especuladores e senhores da guerra.
No ano no que homenageamos dous dos principais arquitetos da Naçom Galega, duas das principais estrelas da nossa bússola e inspiraçom -Castelao e Moncho Reboiras-, queremos apelar para os sectores mais conscientes do proletariado galego, da juventude rebelde, da necessidade de seguir tecendo espaços unitários de luita contra o imperialismo e o fascismo, porque já entramos na etapa de desconto da catástrofe a que nos querem conduzir.
Mas queremos fazé-lo sem enganos, porque os comunistas de um país como a Galiza, sabemos que a luita de classes numha naçom oprimida adota a forma de luita de libertaçom nacional, sempre que o movimento de emancipaçom nacional esteja dirigido polo proletariado, e dotado de um programa genuinamente socialista.
E a luita contra o imperialismo anglo-ianque-sionista e o subimperialismo espanhol nom se pode realizar desde posiçons equidistantes, nem complacentes.
Esperam-nos dias amargos e jornadas duras. Cumpre preparar-se para o pior. Apreendamos das leiçons históricas da luita de classes a escala nacional e internacional. Organizados e unidos venceremos, desestruturados e divididos pereceremos.
Viva Galiza ceive!
Viva Galiza socialista!
Viva a Revoluçom Galega!
Pátria ou morte! Venceremos!
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