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Há que mudar o campo de jogo e convidar em plano de igualdade real os jogadores originários na reformulaçom geopolítica regional
Por Comunismo Revolucionário Galego | 18/12/2025
A volta ao poder nas urnas do fascismo pinochetista encarnado por José Antonio Kast como eleito presidente de Chile, é a grande e definitiva achega histórica das covardes e inúteis ‘esquerdinhas’ progres locais.
O infame lacaio globalista Boric já foi de plena utilidade para o Império, ariete contra o Bloco Bolivariano, aliado da Ukronázia, fantoche regional contra o Mundo Multipolar, traidor aos povos indígenas e aplicado enterrador institucional da grande revolta popular de 2019.
A derrota histórica da candidata dumha edulcorada e totalmente sistémica rémora daquela Unidade Popular doutrora, desfigurada e conduzida pola «comunista» Jara e os seus acólitos do governo capitulacionista progre de Boric, nom nos pode surpreender.
A carência de vontade para realmente confrontar com o novo fascismo que agora retorna, une-se às desfeitas da queda do MAS boliviano após 20 anos governando, por mor do labor de agentes infiltrados, reformistas e corruptos no seio das novas e antigas elites cholas e brancas, o divórcio com a maioria indígena e os movimentos populares, a renúncia a aprofundar o processo de transformaçom revolucionária contra os ataques reiterados do fáscio crioulo e a nova ofensiva imperial …
Umha deriva que lembra o acontecido no Equador de apenas uns anos antes, e que unido ao golpe de estado no Peru, vem a coincidir com a incapacidade manifesta do peronismo e as ‘esquerdinhas’ argentinas para aglutinar um movimento popular anti-imperialista nas ruas que poda derrubar o fascista sicário do poder anglo-sionazista Milei e o seu projeto liquidador da soberania nacional…
Todo nos indica, pois, estarmos diante do fim de ciclo para os governos de «esquerda» reformista no chamado Cono Sul.
Ainda pior, vemos a volta do sinistro Plano Condor, atualizado 50 anos depois, com tropas gringas dispersando-se abertamente para permitir um saqueio impune dos recursos tam precisos ao Capital imperialista ianque neste intre de degradaçom acelerada do seu papel hegemónico global.
Kast, Milei, a terrorista María Corina Machado, Noboa, Boluarte, a reaçom crioula sediada agora em La Paz, competem entre si polos favores do amo para dirigir os planos regionais de brutal repressom interna já em andamento contra os seus povos.
Cumpre pois aos movimientos revolucionários e populares da zona reconstruir alternativas de base combativas e prepararem novas vias insurrecionais contra o reimposto fascismo neocolonial.
Neste intre será fulcral o papel dos grandes povos indígenas nos Andes e na Amazônia, em defesa das suas Terras sagradas, dos seus recursos, línguas e culturas, exercendo a sua autodeterminaçom efectiva, rachando com os regimes inimigos do Novo Plano Condor.
Umha Triple Entente, por exemplo, entre um projeto restaurador em parámetros atuais do legado soberano do Tawantisuyu, do projeto libertador guarani do Paraguai e outros povos irmaos da Amazônia e do Chaco, e da heroica rebeldia de meio milénio anti-imperialista e anticolonial da indómita naçom Mapudungun…
Processos longos e duros de libertaçom e reconstruçom nacional de seu e que merecem ser também solidariamente coordenados, mas nom ficar subordinados, com os do Eixo Resistente Bolivariano, Cuba Socialista, Venezuela Bolivariana e Nicarágua Sandinista, e com as guerrilhas herdeiras da Marquetália heroica, para reconstituirem a Grande Colômbia e consolidar o ALBA mediante a guerra popular prolongada em uniom de armas com o Mundo Multipolar, o Eixo Resistente de Ásia Ocidental, o Sahel Confederal, a Rússia antifasZista, a Coreia Democrática Popular, China Popular, etc, frente os desígnios de Guerra Global Total e Final do imperialismo terminal anglo-ianque-sionista.
O fracasso recorrente nestes dous séculos em consolidar umha restaurada e necessária soberania ao serviço das maiorias populares secularmente excluidas, volta a ser evidente após inúmeras tentativas populistas, frente-populistas, milico-progressistas, etc… Nom podemos negar a existência de um problema estrutural fundacional que nom foi devidamente resolvido.
Umha reflexom de fundo impom-se, desde o nosso modesto prisma de naçom também historicamente oprimida e colonizada polo mesmo imperialismo espanhol que continua a tentar recolonizar indiretamente Abya Yala e, também, incómoda para o discurso histórico do imperialismo português, subordinado do anglosaxom.
Devemos lembrar como o Reino da Galiza cai de vez como entidade soberana junto a outros povos da Europa Atlántica (Bretanha, Irlanda, Gales, Escócia, Cornualha, Nafarroa…) diante dos grandes poderes ocidentais após a Modernidade imperial e genocida nos séculos XV e XVI, sendo estes os mesmos agentes que vam arrassar com as entidades soberanas indígenas além do Mar no maior e mais impune holocausto até agora da inteira História humana.
Como povo trabalhador periférico e espoliado dos seus recursos no seio do centro capitalista, e com parte literalmente da nossa Pátria, e da sua cultura e memória nacional moderna acolhida e desenvolvida em secular diáspora nestes estados citados, tendo contribuído a milhares nas suas causas de soberania e independência e nas suas luitas operárias, populares, insurretas e guerrilheiras com o nosso suor, sangue e semente também, sobretodo na beira Atlántica Sul, podemos enxergar e aconselhar com o maior e mais solidário dos nossos respeitos internacionalistas, no facto que qualquer mudança ou reformas reais aló, feitas desde o marco poscolonial crioulo europeu, mesmo com nobres ideias de esquerda alegadamente bolivarianas ou guevaristas, estarám condenadas a ser no melhor dos cenários, heroicas mas insuficientes para resolverem as tarefas emancipadoras requeridas neste decisivo momento para o porvir da História continental e mundial, sobretodo para os inúmeros milhares de milhons de oprimidas e explorados.
Ao menos nos Andes, no Pacífico Sul, no Amazonas, outros projetos nacionais libertadores eram e som possivéis nestes douscentos anos após o abrente de Ayacucho e 500 bem logo após a queda de Cajamarca.
Há que mudar o campo de jogo e convidar em plano de igualdade real os jogadores originários na reformulaçom geopolítica regional. Qualquer alternativa possível de parámetros marxistas-leninistas no Cono Sul tem que assumir o Tawantisuyu como um exemplo nom eurocentrista de comunismo estatal, reivindicar na praxe e nom somente na retórica os sistemas comunais guaranis e reconhecer o papel da luita anti-imperialista Mapudungun contra o fascismo depredador no Chile e a oligarquia argentina.
Se para triunfar nos seus países, mália que parcialmente e com seus problemas específicos sem resolver, no decurso dos respetivos processos o marxismo clássico foi enxertado até naturalizar-se fecundamente nas próprias tradiçons de anticolonialismo bolivariano, sandinista e martiano de Cuba, Venezuela e Nicarágua, com maior lógica e necessidade tem que ser (re)criativamente incardinado em territórios onde a imensa maioria do povo nom é nem branco, nem afro, nem mestiço por mor do genocídio ou assimilacionismo quase completo dos respetivos povos nativos, e aló onde a língua e cultura próprias, o ayllu comunal, a grandeza, o apelo rebelde e legado soberano da civilizaçom anterior da longa noite colonial ficam, mália que parcialmente, ainda em pé.
Os revolucionários das grandes Áreas Metropolitanas da Abya Yala meridional devem rachar politicamente, culturalmente e também epistemologicamente com o controlo e tutela das ‘esquerdinhas’ progres e woke dum Ocidente caduco, das quais as miméticas classes médias crioulas em versom progre ou até «radicalizada», únicamente eram e som calco, e sob o domínio das que nom podem jamais chegar a nemgum resultado criador e menos ainda delas aguardar «esforço heroico».
Há um século do seu imortal magistério teórico e prático o camarada Mariategui sabia bem do que falava. E o seu espírito aguarda novas alvoradas nas serras e na selva com o dos vários Tupaq Amaru, Tupaq Katari, filhos de Manqu Qhapaq e da Pacha Mama, aliados dos novos Che, Tiradentes, Camilos, Chávez, Soto e Tirofijos, que agromarám numha inexorável e dialética resistência armada até a Vitória Final.
Na Pátria, 17 de dezembro de 2025
[Ano Moncho Reboiras]
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